Assim como a ex-aluna Andréa Martins, também fiz parte da primeira turma do colégio. Foram anos maravilhosos e decisivos para o que me tornaria mais para frente. Os anos passados no Anglo moldaram em mim o adulto que sou hoje. Ainda que naquela época eu não soubesse ao certo qual seria meu caminho, a experiência vivida naquele ambiente, o contato com profissionais dedicados e destemidos, forjaram meu lado curioso, independente e crítico. Também foi dali a vontade de cursar Ciências Biológicas e, mais ainda, a genética que já se despontava como um desejo de carreira.
Saímos em 1984, o sentimento foi um misto de abandono do lar, medo do desconhecido, mas também uma curiosidade imensa pelo novo.
Entrei na PUC em 1985 onde fiquei até 1988. Diploma debaixo do braço e absolutamente perdida!!! O que fazer agora?
Decidi entrar para o mercado de trabalho e fui contrata pela Johnson & Johnson em São José dos Campos, divisão Profissionais. Foram quase 3 anos de muito aprendizado, seja na minha área de formação, seja em administração e, principalmente, aprendizado do mundo corporativo, hierarquia etc.
O desejo de trabalhar com genética continuava vivo e, em 1991 fui para França, para o Instituto Pasteur tentar realizar meu mestrado em Genética Humana. Cheguei no Pasteur com uma carta de recomendação de uma pesquisadora da UNIFESP e muita determinação. O Dr. Jean-Louis Guénet, chefe do laboratório me recebeu por um período de experiência de 6 meses. Enfim, estava trabalhando com genética humana! O sonho estava começando a se realizar! Acabei ficando de 1991 até 1997, período no qual realizei meu mestrado e doutorado sob a orientação do Dr. Guénet.
Em 1996 conheci meu futuro marido, casamos e em 1998 nasceu nossa primeira filha, nossa Clara. Neste período já realizava meu pós-doutorado no Instituto Nacional de Pesquisas Agronômicas na França (INRA). Foi neste instituto que conheci um pesquisador brasileiro, professor na UFMG, o qual me falou de um concurso para professor na sua universidade para área de genética. Acabei passando neste concurso em 1999.
Voltei para o Brasil em 1999 para iniciar minha carreira docente em genética na UFMG, na bagagem anos de aprendizado, uma vontade imensa de trabalhar, um marido francês e uma filha recém-nascida.
De lá para cá, 18 anos se passaram, hoje Clara faz 18 anos e tivemos Jean, com 15 atualmente. Da professora iniciante, um pouco insegura, hoje sou responsável por um laboratório de pesquisa em Genética Animal e Humana, já formei inúmeros alunos e trabalhamos focados em Genética do Alcoolismo.
Do colégio Anglo trago, além das lembranças que me fazem sorrir, a certeza de ter tido o privilégio de conviver e aprender com pessoas/profissionais sensacionais. O que sou hoje enquanto docente, aprendi naquela época. O que sou enquanto orientadora e geneticista carrego dali, a seriedade, o compromisso e a certeza de que o conhecimento deve ser compartilhado sempre! E, o mais importante, tudo que faço, faço com paixão!